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Crescem pressões sobre o Brasil no caso do Irã

O pior cenário para o país é que a votação ocorra antes da visita do presidente Lula ao Irã, em 15 de maio

São crescentes as pressões sofridas pelo governo brasileiro para que apoie, no Conselho de Segurança da ONU, a adoção de sanções contra o Irã. Nas últimas semanas, segundo o Valor apurou, autoridades de vários países e de diferentes escalões estiveram no Brasil e fizeram considerações que variaram do apelo a ameaças veladas.

O pior cenário para o país é que a votação ocorra antes da visita do presidente Lula ao Irã, em 15 de maio. Os EUA querem votar as sanções em abril.

Normalmente, o Brasil não seria protagonista numa votação relativa ao Oriente Médio. Mas o crescente envolvimento brasileiro em questões globais, a aproximação com o Irã e a tentativa de Lula de mediar um acordo colocaram o país no centro das atenções.

Países ocidentais acusam o Irã de manter um programa nuclear militar, para construção de bombas atômicas. Teerã nega, mas a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), encarregada de fiscalizar as atividades do Irã, vem relatando que o país não coopera. O diretor-geral da AIEA, o japonês Yukiya Amano, esteve em Brasília nesta semana com a missão de transmitir essa mensagem diretamente ao governo brasileiro.

O Brasil, porém, sustenta que ainda vê espaço para negociação com o Irã e sinaliza que pode votar contra novas sanções, tema que ocupou a maior parte da agenda da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em sua viagem a Brasília.

Outras autoridades estrangeiras, de menor escalão, também passaram pelo país. Além de se reunir com membros do governo, elas buscaram canais para colocar a questão do Irã em discussão no Brasil, por meio da mídia, de congressistas e até de contatos com empresários. Seria uma forma de pressionar indiretamente o governo Lula.

Um diplomata estrangeiro citou o risco de bancos e empresas brasileiras se envolverem involuntariamente em operações que violem os embargos já existentes contra o Irã.

(Valor)


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